terça-feira, 19 de março de 2013

BULLBAITING



Evidências da popularidade do bullbaiting séculos atrás ainda podem ser vistas em várias cidades da Inglaterra. Em certas cidades, como Birmingham e Dorchester, os nomes de algumas ruas se referem à proximidade da arena. Em outras cidades, arenas de touros estão preservadas.
Esta atividade, embora nos pareça repulsiva, era outrora bastante apreciada. Senão, vejamos:
- O primeiro registro de bullbaiting é de 1209. O Lord de Stamford, fascinado pela cena de um cão subjugando um touro no pátio de seu castelo, determinou que, a partir de então, seis semanas antes do dia de natal, um touro deveria servir de presa para os cães para que o "esporte" continuasse para todo o sempre.
- Em 25 de maio de 1559, embaixadores franceses foram recebidos pela Rainha Elizabeth com um jantar seguido de lutas de cães com touros e ursos. Gostaram tanto que repetiram a dose no dia seguinte.
- Cerca de 25 anos depois, a mesma Rainha Elizabeth recebeu o embaixador dinamarquês com cerimonial idêntico.
- O Rei James I continuou a tradição da Rainha Elizabeth, recebendo a corte espanhola no início do século XVII com uma programação especial de baiting que incluía touros, cavalos e ursos. O encerramento foi com um urso branco lançado ao Tâmisa, para que os cães o atacassem nadando.
- O Rei Charles I, filho do Rei James I, também foi um ávido adepto dos blood sports. No reinado da Rainha Ana (1665-1714), tais espetáculos continuaram a ganhar popularidade.
O bullbaiting era uma atividade tão entranhada no dia a dia que alguns distritos possuíam leis proibindo a venda de carne de boi que não houvesse passado pelo baiting. Acreditava-se que assim a carne ficava mais macia e nutritiva!
À vista das touradas, que ainda hoje mobilizam multidões, a prática de deixar um cão derrubar um touro pelo nariz pode não parecer tão cruel assim. Só que o "esporte" não consistia apenas em deixar um cão derrubar o touro antes deste ser abatido. Havia requintes de crueldade como os descritos a seguir:
- Vários cães eram utilizados, o que torturava o touro à exaustão.
- Quando o touro caía de cansado, eram acendidas tochas em baixo dele para que ficasse de novo em pé.
- Touros mais lentos ou cansados tinham seus rabos torcidos até que se quebrasse.
- Outro artifício para "tornar o touro mais ágil" era espetá-lo com lanças.
- Há um relato de que, em 1801, um touro teve seus cascos decepados. O evento foi documentado por um historiador, mas não se sabe quantas vezes essa atrocidade ocorreu ou mesmo se era comum.
- Vários cães também eram perdidos, atingidos pelos chifres do touro ou pisoteados. Cães feridos, muitas vezes com os órgãos à mostra, eram incentivados a continuar atacando, sendo invariavelmente pisoteados.
- A história mais aterradora foi a de um açougueiro, que levou uma fêmea já velha com a ninhada para o evento. Quando a cadela dominou o touro, o açougueiro decepou suas patas com um cutelo sem que ela largasse o touro. Os filhotes foram imediatamente vendidos por uma soma considerável.



OS CÃES DE LUTAS CONTRA ANIMAIS SELVAGENS


Além do bullbaiting, que era uma atividade relativamente recente, os tenazes mastins sempre foram utilizados em combates contra os mais diversos oponentes. Os mais comuns foram leões e ursos, mas texugos e até macacos foram utilizados neste insólito tipo de rinhas.
Registros desses tipos de combate são quase tão antigos quanto seu emprego em guerras. Na verdade, parece intimamente ligado às guerras. Na mitologia grega, vemos no escudo de Aquiles a representação da vitória de seu cão sobre dois leões. O rei persa Kambyses, o mesmo que já utilizava cães em seu exército e reinou de 529 a 522 A.C., possuía um cão que iniciou um combate contra dois leões adultos. Alexandre, O Grande, rei da Macedônia de 356 a 323 A.C., foi apresentado na Índia a cães que combatiam com sucesso contra leões e mantinham a presa enquanto eram mutilados. A tenacidade dos cães era tal que o rabo, as patas e finalmente a cabeça eram sucessivamente decepados a espada sem que o cão largasse o leão. Estes são os principais relatos da antigüidade do eterno sonho de possuir um cão invencível e leal, capaz mesmo de derrotar a maior das bestas – o leão. Obviamente, fábulas e exageros foram incorporados a muitos relatos


LUTA CONTRA LEÕES

Passando para a Inglaterra medieval, o centro europeu de lutas de animais da época, encontramos as lutas como um dos principais entretenimentos da corte, intimamente ligado às caçadas. Aqui, a principal presa era o urso, sendo o primeiro registro histórico baseado em documentos do bear baiting datado do ano de 1050. Leões também eram ocasionalmente utilizados, pois eram um presente muito apreciado pelas cortes européias. Há um relato de que o Rei James I patrocinou uma luta entre um leão e três mastiffs no final do século XVI, dos quais um sobreviveu.
Tanto a Rainha Elizabeth quanto seu sucessor James I eram grandes adeptos dos blood sports. A rainha criava seus próprios mastins e o segundo instituiu o cargo de Master of the Game Beares, Bulles and Dogges. Eram encargos do Master todas as lutas de animais da corte, bem como a aquisição, criação e reprodução dos animais, recebendo um provento anual de 450 libras, uma verdadeira fortuna para a época. A pedido do rei, vinte fêmeas de mastiff eram mantidas na Torre de Londres como base da criação real de bear dogs.
O bear baiting logo passou a ter regras escritas e um grande número de arenas surgiu em Londres. A mais antiga de todas foi, provavelmente, o Old Bear Garden, cuja primeira referência é de 1574. Era situado bem no centro de Londres e ainda existe hoje como Bear Garden Museum.


BEAR BAITING

Após a subida ao poder de Oliver Cromwell (1599 – 1658), os Puritanos baniram as brigas de animais. Mais tarde, após a Restauração, os combates ressurgiram com maior popularidade ainda, encontrando mais e mais adeptos, principalmente entre as massas.
A popularidade dessas lutas só pode ser entendida como fruto da paixão dos ingleses por apostas e jogos de azar. Os espectadores apostavam se um determinado cão conseguiria pegar o urso pelo pescoço, quanto tempo manteria a presa etc. Existiam planilhas de apostas, onde eram contabilizadas tanto as performances anteriores do urso quanto as do cão. Os ursos eram criados profissionalmente no Bear Garden e os donos dos cães pagavam para lançar seus cães contra eles. Somadas aos ingressos, eram uma considerável fonte de renda, que poderiam gerar pequenas fortunas.
Ao que tudo indica, estes tipos de lutas praticamente desapareceram por volta de 1825, quando as lutas contra touros eram a atração principal.

O BULLLBAITING

Bullbaiting era um "esporte" que consistia em atiçar os Bulldogs contra um touro amarrado pelo pescoço para que estes pudessem derrubá-lo mordendo-o pelo nariz.



OS CAMPOS DE BATALHA


A caça de grandes e perigosos animais
Esta modalidade de caça concentrava-se basicamente em cinco animais: aurochs, stag, bisão, javali e urso. Teve sua origem na Idade Média e durou até fins do século passado.

Pit Bull

Pit Bull

Os três primeiros eram espécies de gado selvagem. Alguns chegavam a atingir 1,80m na cernelha e pesar 700kg, sendo animais incrivelmente ágeis para o seu tamanho. Os javalis chegavam a mais de 1m de altura e possuíam presas poderosas. Os ursos atingiam 1,25m e os maiores exemplares chegavam a 350kg.
A caça desses amimais sempre foi um desafio para o homem. Tais caçadas eram tão prestigiadas que eram, por lei, reservadas a reis, nobreza e grandes proprietários de terras. Como muitos cães perdiam a vida nessas caçadas, camponeses e servos eram obrigados a criar e ceder esses cães para a nobreza.
Fartamente ilustradas, as pinturas de caçadas retratam cães bastante similares aos atuais mastiffs e greyhounds. Porém, gravuras de meados do século passado retratando caçadas de javalis na América mostram claramente o emprego de Pit Bulls de maior estrutura. Relatos de caçadas de ursos, búfalos e elefantes utilizando bull-and-terriers de 20kg podem ser encontrados no livro de George P. Sanderson Thirteen Years Among the Wild Beasts of India, de 1870.
Este tipo de caçadas, diferentemente do que ocorre com o que imaginamos como caçadas com cães (com pointers, retrievers, spaniels), exige animais com determinação, coragem e tolerância a dor excepcionais, características só encontradas nos cães de combate.

ONDE TUDO COMEÇOU: OS MOLOSSOS



Desde que a criação de cães se tornou sistemática, a transformação dos cães em especialistas numa determinada tarefa sempre foi uma meta a ser atingida. A seleção de cães até meados do século passado sempre teve como propósito o emprego do cão: pastores, guardas, caçadores dos mais diversos tipos, farejadores e o nosso grupo alvo: os cães de combate.
Sua origem é incerta, composta de fragmentos que dão margem a muita imaginação na montagem deste quebra-cabeças.
Alguns teóricos apontam esta origem para o Tibete e Nepal, como descendentes diretos do lobo preto tibetano. Esta teoria é baseada em literatura chinesa de 1121 A.C., bem como em cerâmicas, murais etc e prega que esses cães são a base de todos os molossos, expandindo-se gradualmente para outras regiões.
Outros pregam que regiões menos desenvolvidas culturalmente possam também ter desenvolvido raças similares, porém não houve registro. Migrações, rotas comerciais, campanhas militares etc teriam então difundido tais cães. Tal teoria é suportada por escavações que encontraram crânios de lobos de proporções similares aos dos atuais molossos por todo o Velho Mundo.

CÃES DE GUERRA

Seja qual for sua origem, registros de sua atuação nos campos de batalha não faltam:
- Hamurabi, rei da Babilônia, já empregava cães gigantescos com seus guerreiros em 2100 A.C.
- Os Lídios, tribo asiática, utilizaram um batalhão de cães em suas guerras contra os Kimérios (628 – 571 A.C.)
- Os persas do Rei Kambyses também os utilizaram contra os egípcios em 525 A.C.
- Na batalha de Maratona, um cão de guerra ateniense foi imortalizado como herói em um mural

Pit Bull


A partir de cerca do ano 100 D.C., os romanos passaram a adotar uma companhia de cães por legião. Anos antes, durante a invasão da Inglaterra, os mastiffs ingleses se mostraram muito superiores aos cães romanos, sendo trazidos para Roma e utilizados em lutas no Coliseu.
Em tempos mais recentes, os espanhóis os utilizaram no México para dizimar os povos locais; o Conde de Essex, no reinado de Elizabeth I, também lançou mão deles para sufocar, de forma sangrenta, um levante irlandês; Napoleão determinou que fossem utilizados na batalha de Aboukir.
Nas guerras deste século, os cães também foram largamente utilizados, porém não mais diretamente no combate e sim como mensageiros, guardas, detetores de minas etc. O emprego dos grandes molossos tinha acabado.
Encerrou-se, então, uma era em que a coragem e a devoção do cão a seu master foi testada como nunca. E foi comprovada na mais cruel das situações, onde coragem e bravura são requisitos para a sobrevivência:


quinta-feira, 14 de março de 2013

HISTÓRIA DO AMERICAN PIT BULL TERRIER


A história do desenvolvimento do Pit Bull na máquina de combate que é hoje tem início há cerca de dois séculos. Era o período do apogeu do Bulldog e a atividade predominante não era a luta de cães, mas sim o bull baiting.
Tomando o termo cães de combate num sentido mais amplo – cães de guerra, de caça pesada e perigosa e lutas contra os mais diversos oponentes – vamos recuar no tempo e tentar reconstituir a história deste grupo.
Esta tentativa não é uma empreitada simples. A documentação é esparsa e muitas vezes dispomos de apenas fragmentos de um mural para fundamentar uma linha de raciocínio.
Este breve histórico está baseado na obra de dois renomados estudiosos do tema: os Drs. Carl Semencic e Dieter Fleig. Os autores Diane Jessup e Richard Stratton foram também exaustivamente consultados.


Pit Bull



2000 AC: Os babilônios já usavam cães gigantescos em seus exércitos.


Pit Bull

1600: os cães utilizados para caça pesada, como o aurochs e o stag, eram descendentes dos grandes molossos.
1800: O bear baiting, a luta entre um urso e um Bulldog, deixou de ser prerrogativa da nobreza e tornou-se uma diversão popular. Pequenas fortunas surgiam em função das apostas e com a manutenção dos ursos. O Bulldog já era praticamente idêntico ao moderno Pit Bull.

Pit Bull

1830: O bull baiting era o entretenimento favorito das massas. O Bulldog é claramente um Pit Bull moderno, de compleição mais robusta.

Pit Bull

1850: Com a proibição do bull baiting, as lutas de cães se tornam populares. O bull and terrier, menor e mais ágil, substitui o Bulldog: está formado o Pit Bull.