sexta-feira, 22 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
CARACTERÍSTICAS - PADRÕES DA RAÇA PIT BULL
Conhecidos por sua
força, os Pit Bulls apresentam uma estrutura óssea e muscular muito
desenvolvidas, com pescoço curto e grosso. Além de um corpo robusto, os cães da
raça possuem mandíbulas que permitem mordidas com muita força.
As cores mais comuns
da pelagem (curta e lisa) são: preto, branco e marrom. O peso oscila entre 30
e 50 kg. Já a altura pode chegar a cerca de 50 cm.
Com uma postura
intimidante e um andar determinado, o Pit Bull pode ser dividido em três grupos
conforme a coloração do focinho. O Black Nose (narinas pretas) é o mais comum e
apesar de não ser muito agressivo com pessoas, seu comportamento diante de outros
animais é bem explosivo. O Blue Nose (narinas azuis) não é encontrado com
facilidade, age com agressividade moderada com pessoas e animais e sua pelagem
tem um tom cinza próximo do azul. Por sua vez, o Red Nose (narinas vermelhas) é
encontrado com focinho curto, na maioria das vezes, e sua agressividade é baixa
com pessoas, mas alta com animais.
TEMPERAMENTO DA RAÇA PIT BULL
O fato de ter um
corpo atlético faz com que o Pit Bull seja um ótimo companheiro para pessoas
que gostam de corridas e esportes ao ar livre. Apesar de sua origem como cão de
guarda, não é recomendável treiná-lo para essa tarefa, pois o Pit Bull pode se
tornar agressivo ao defender o território e proteger seu dono contra
desconhecidos.
A determinação e a
inteligência do animal só não são maiores que a devoção que ele tem pelo dono.
Por ter se desenvolvido como cão de briga, é natural que o Pit Bull seja
agressivo com outros bichos. No entanto, a raça não apresenta animais que sejam
agressivos com humanos, a não ser que o cão seja provocado ou sinta um tom de
ameaça.
DICAS E CUIDADOS COM A RAÇA PIT BULL
Como os pelos são
curtos, não é necessário ter outros cuidados além da escovação. Você deve
proporcionar uma alimentação que garanta um crescimento saudável. Já os
exercícios não podem forçar o animal antes de ele completar dois anos de idade,
com exceção de caminhadas.
Os exemplares da raça
são resistentes a doenças, mas ainda assim você precisa levar o animal ao
veterinário com regularidade para as devidas vacinas e para checagem da saúde
do Pit Bull. Os seguintes quadros clínicos podem afetar a raça: Displasia
Coxo-femural, dermatites e Atrofia progressiva da retina.
A CHEGADA NA AMÉRICA
Como visto, os ancestrais imediatos do Pit Bull foram os
pit fighting dogs importados da Irlanda e Inglaterra a partir de meados do
século XIX.
Na América, a raça começou a divergir ligeiramente do que
estava sendo produzido naqueles países de origem. Os cães não foram utilizados
apenas para rinhas, mas também como catch dogs – presa de gado e porcos
desgarrados – e como guardas da propriedade e da família. Daí começaram a ser
selecionados cães de maior porte, mas esse ganho de peso não foi muito
significativo até cerca de 20 anos atrás.
Os cães irlandeses, os famosos Old Family Dogs, raramente
pesavam acima de 12kg e cães de 7kg não eram raros. O anteriormente citado
LLoyd’s Pilot pesava 12kg. No início do século, eram raros os cães acima de
23kg. De 1900 a 1975, houve um aumento pequeno e gradual no peso do Pit Bull,
sem que houvesse perda de performance no pit.
Nas mãos dos criadores americanos, o Pit Bull se
popularizou a ponto de ser símbolo dos Estados Unidos na 1ª Guerra Mundial.
Homens como Louis Colby, cuja família mantém até hoje uma tradição de 109 anos,
C.Z. Bennet, fundador do United Kennel Club (UKC) e Guy McCord, fundador da
American Dog Breeders Association (ADBA), foram fundamentais na consolidação da
raça.
Sua popularidade atingiu o auge na década de 30, quando o
seriado infantil Little Rascals era estrelado por Pete, um Pit Bull: era o
cachorro favorito de 10 entre 10 crianças americanas. Esta projeção levou
finalmente o American Kennel Club (AKC), após anos de pressão a reconhecer o
Pit Bull com o nome de staffordshire terrier, para diferenciá-lo dos cães
voltados para rinhas. Este cão é hoje o american staffordshire terrier, tendo o
"american" sido acrescido ao nome original em 1972 para evitar
confusão com o staffordshire bull terrier.
Mas agora, quando a vasta maioria dos APBT não é mais
selecionada para a performance tradicional no pit (compreensível, já que o
processo seletivo em si – o combate – é crime), o axioma americano "bigger
is better" passou a valer para vários neófitos que se tornaram criadores,
aproveitando a popularidade da raça nos anos 80.
Isto resultou num aumento vertiginoso no tamanho médio do
Pit Bull, muitas vezes de forma desonesta, pelo cruzamento com raças como
mastiff, mastim napolitano e dogue de bordeaux. Alguns autores, como Diane
Jessup, sustentam que o american Bulldog nada mais é do que a fixação de
linhagens maiores de Pit Bull.
Outra modificação, esta menos visível, que vem sendo
introduzida desde o século XIX são os estilos de luta geneticamente programados
(tais como especialistas em orelhas, patas e focinho), função do nível de
competitividade que as lutas atingiram.
A despeito de tais modificações, a raça tem mantido uma
notável continuidade por cerca de 150 anos. Pinturas e fotos do século passado
mostram cães idênticos aos dos dias de hoje. Embora pequenas diferenças possam
existir entre algumas linhagens, no geral temos uma raça que, ao contrário de
muitas outras ditas "reconhecidas", está consolidada há mais de um
século.
O SURGIMENTO DO BULLDOG
Historicamente, o termo Bulldog possui dois significados.
O primeiro diz respeito à aparência de um determinado cão, desenvolvido na
Inglaterra na segunda metade do século XIX. O cão hoje conhecido como Bulldog
inglês é, na realidade, uma distorção criada a partir de 1860, baseados no que
um grupo de pessoas "achava" que era a conformação ideal de um
bullbaiter. Nenhuma pintura que represente o bullbaiting mostra um animal com
as deformações do moderno Bulldog, mas sim cães bastante semelhantes ao Pit
Bull.
O segundo significado, muito mais antigo, é um termo
funcional: qualquer cão capaz de ser efetivamente utilizado como bullbaiter.
Esta é a definição que nos interessa.
Dentro desta conotação, eram Bulldogs:
- Na Inglaterra, o Bulldog propriamente dito, que evoluiu
para o moderno Pit Bull;
- Na Alemanha, o mastim bullenbeisser, que resultou no
boxer;
- Nas Ilhas Canárias, o bardino majero, ancestral do
presa canário.
Seja qual for a definição, é aceito que o Bulldog derivou
dos mastiffs. A primeira referência explícita ao Bulldog que se tem notícia foi
feita em 1631 por um sujeito chamado Prestwich Eaton. Em uma carta para um tal
George Willingham, solicita claramente "um bom mastiff e dois bons Bulldogs".
Tem-se hoje como certo que o Bulldog foi aos poucos sendo selecionado dentre os
mastiffs de menor porte e maior agilidade.
Outro possível ancestral do Bulldog é o alaunt. Esta raça
foi descrita no livro Master of Game, do II Duque de York, em torno de 1410. Foram
descritas três variedades: alaunt gentle, alaunt veutreres e alaunt of the
butcheries, sendo realçada a aptidão para bullbaiting dos dois últimos. O
primeiro se assemelhava a um grande grayhound. Acredita-se que tenha origem na
China e tenha chegado à Europa junto com migrações de povos como os hunos e os
álanos, no início da era cristã. Esta tese é reforçada por um livro chinês
chamado Book of Odes, de 600 A.C. As descrições de duas raças neste livro (shan
e shejo), tanto física quanto funcionalmente, são iguais às dos alaunt do Duque
de York 2000 anos depois.
É possível que os mastins tenham tais cães como
ancestrais. O que parece é que, sob a classificação de alaunt, estavam todos os
cães de trabalho de então: os grandes cães de caça, os mastins e os Bulldogs.
O declínio do Bulldog
No início das lutas de cães, o Bulldog ainda era o cão
mais utilizados pelos baiters. Não demorou muito para os organizadores das
rinhas percebessem que, embora o pesado Bulldog, com seus 35-45kg, fosse um
excelente combatente contra touros, um cão mais leve e ágil seria mais
apropriado para as lutas de cães.
Para atingir este objetivo, o Bulldog foi cruzado com
diversos tipos de "game terriers", daí resultando o bull-and-terrier
(não confundir com o bull terrier), posteriormente denominado staffordshire
bull terrier. Em 1866, no livro Researches into the History of the British Dog,
o autor George Jesse escreveu: "O bull-and-terrier, por sua maior
agilidade, superou o Bulldog nos combates no pit".
Muito tempo se passou até que o bull-and-terrier se
tornasse razoavelmente homogêneo e reconhecível como uma nova raça. No início,
não se cruzava um bull-and-terrier com outro bull-and-terrier, mas sempre um
Bulldog com um terrier. Somente a partir de 1850 eles começaram a se
homogeneizar.
Um dado interessante que explica a grande diversidade de
características físicas desses cães é o segredo mantido pelos criadores do
século XIX acerca de seus métodos de criação. Mesmo quando registrados em
papel, o que era raro, os pedigrees não eram divulgados, por receio de que os
rivais descobrissem o segredo do sucesso e pudessem replicá-lo.
Em todo caso, em meados do século XIX os bull-and-terrier
já tinham adquirido todas as características apreciadas nos dias de hoje:
capacidade atlética, gameness incomparável e temperamento afável.
ESTABELECIMENTO DA RAÇA NA INGLATERRA
Embora criado num passado recente e razoavelmente
documentado, a origem do Pit Bull é um pouco nebulosa e está dividida,
basicamente, em duas vertentes, ambas defendidas por autores de renome:
- O Pit Bull é exatamente o antigo Bulldog
Esta tese é suportada por autores como Richard Stratton e
Diane Jessup. Para eles, não existe nenhuma característica no Pit Bull que
justifique sua origem em um terrier. Embora possa ter ocorrido alguma
introdução de sangue terrier no século passado, isso não foi de forma alguma
significativo. O cão que é uma evolução do bull-and-terrier (cruzamento do
Bulldog com game terriers) é o moderno bull terrier.
- O Pit Bull é o resultado do cruzamento do Bulldog com
os game terriers
Carl Semencic e a vasta maioria dos dog men, como Dan
Gibson e Bert Sorrells, defendem a tese de que o Pit Bull é realmente o
aprimoramento do bull-and-terrier, ou half-and-half. A base que oferecem são
pinturas de época, mostrando que tais cães são virtualmente idênticos ao Pit
Bull tal como o conhecemos.
Esta segunda tese me parece mais lógica. Embora não seja
a especialidade do Pit Bull ficar se enfiando em tocas, um observador mais
atento perceberá que há muita semelhança entre o comportamento de terriers como
o jack russel e o patterdale e dos pequenos Pit Bulls das linhagens ditas
"de combate". A independência, a obstinação (muitas vezes considerada
teimosia), a agressividade em relação a outros cães e a forma como pulam são
atributos comuns a ambos.
Algumas fontes citam o extinto white terrier como o
utilizado na obtenção do half-and-half, embora não hajam provas disso. O mais
provável é que os ditos rateiros – terriers extremamente game utilizados em
competições nas quais vencia o cão que matava o maior número de ratos num dado
lapso de tempo – tenham sido os escolhidos.
O resultado da fixação do bull-and-terrier foi o cão que
ainda hoje é conhecido como staffordshire bull terrier. Fotografias da segunda
metade do século passado mostram claramente que era este o cão utilizado nas
lutas de então na Inglaterra e que foi trazido para os Estados Unidos. Um
exemplo documentado é uma fotografia de um famoso dog man inglês de então,
Cockney Charles Lloyd, que trouxe vários cães da Inglaterra. Um desses cães,
Pilot, aparece numa foto de 1881 e é claramente um staff bull. Pilot veio a ser
um dos pilares da linhagem Colby, através do lendário Colby’s Pinscher.
As opiniões de Jessup e Stratton, porém, não devem ser
desconsideradas. Observem a semelhança entre um Bulldog de 170 anos atrás e um
Pit Bull de linhagens mais pesadas, como o Pit Canchin.
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